Blackout, da Sauer & Tröger: matar a velocidade da bola é com ela

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Irritantemente lenta. Foi o que mais pensei nos 45 dias com a Blackout no backhand. A bola volta tão lenta que parece que não vai passar a rede, e muitas vezes é exatamente isso que desmonta o adversário.
Este é o primeiro review do blog, um mini review com minhas impressões de uso, sem medições de laboratório. Começo pelo mais importante: a 360TT vende o produto testado. A Blackout é da Sauer & Tröger, de quem somos distribuidores oficiais no Brasil, e a borracha que testei foi fornecida pela própria S&T para testes. Isso não muda nada no que vem abaixo. Aqui você vai ler o bom e o ruim, sem rodeio. É comum ver review que só elogia o que a própria loja vende. Aqui a ideia é outra: contar como foi, inclusive o que não funcionou, para quem é essa borracha e, talvez o essencial, para quem não é!
Quem testou fui eu: jogo no estilo clássico, perto da mesa, e usei a Blackout no backhand por aproximadamente 45 dias, numa madeira DHS 08X com a Hurricane 3 NEO 37º preta no forehand. Foram treinos e algumas duplas contra jogadores da primeira e da segunda divisão de Minas Gerais. Depois disso, parei de usar. O motivo está mais abaixo, e não é defeito da borracha. Já não tinha pretensão de usá-la mesmo, queria apenas testar.
TL;DR: a Blackout é uma anti-spin com esponja de absorção ultramacia: a bola do adversário “morre” e volta pesada, baixa e lenta (por quê). No golpe por golpe, ela brilha no bloqueio contra topspin forte e na recepção de saque com muito efeito, e sofre contra bola passiva, por baixo ou alta. Os pontos fortes são o bloqueio, o controle e o efeito na cabeça do adversário; os pontos fracos, atacar e empurrar bola morta. Vai bem com quem tem bom pivô ou quer jogar defendendo perto da mesa; não é onde ela brilha para quem depende de atacar com o lado da anti. E cuidado ao descolar: a esponja é muito frágil.
O que é uma anti com esponja de absorção
Anti-spin é uma borracha lisa (pinos para dentro, como uma lisa ofensiva comum) com topsheet de pouquíssimo atrito. Em vez de criar efeito, ela devolve boa parte do efeito que recebe: o topspin do adversário volta para ele como bola sem efeito ou bem para baixo, dependendo de como você golpeia.
A Blackout soma a isso uma esponja de absorção: macia ao extremo, feita para “engolir” a velocidade da bola em vez de devolvê-la. A Sauer & Tröger descreve uma esponja ultramacia de amortecimento linear e um topsheet com cerca de 85% menos aderência que o de uma borracha comum. O resultado, na mesa, é uma bola que chega do outro lado lenta, baixa e com o efeito invertido. É essa combinação que confunde o adversário.
E aqui vai a regra que vale para toda esponja de absorção: quanto mais grossa, mais lenta. É o contrário do que acontece numa borracha sanduíche ofensiva (topsheet + esponja), em que mais esponja quer dizer mais velocidade.

Por que a bola morre e cai
Dizemos que uma bola em movimento tem duas velocidades. A velocidade horizontal é o quanto ela anda para a frente, rumo ao outro lado da mesa e vice-versa: é o que a gente chama de bola rápida ou bola lenta. A velocidade vertical é o quanto ela sobe ou desce. No ponto mais alto de qualquer parábola, a velocidade vertical é zero: a bola parou de subir e ainda não começou a descer. A horizontal continua.
Os tempos de bola, que são “organizações” do momento de golpear a bola, só contam depois do quique do seu lado da mesa, porque é aí que você pode tocar nela (no tênis de mesa não existe voleio): tempo 1 é na subida, antes do ponto mais alto da parábola; tempo 2 é o ponto mais alto; tempo 3 é depois dele, na descida.
A esponja de absorção rouba principalmente a velocidade horizontal. A bola sai da Blackout andando devagar para a frente, enquanto a gravidade continua puxando para baixo com a mesma força de sempre. Mesmo passando rente à rede, ela anda menos para a frente no tempo em que cai: chega curta, e o quique sai baixo e anda pouco. O tempo 2 do adversário fica baixo e perto da rede. Para atacar, ele precisa ir buscar a bola e colocar de novo, sozinho, toda a velocidade horizontal.
O desenho abaixo mostra isso num bloqueio contra um topspin forte: a borracha comum devolve a bola rápida e com topspin; a Blackout, lenta e com efeito por baixo.

Ficha técnica
Não medi muita coisa, confesso: a intenção era só testar mesmo, e não fazer review. Mas pesei a borracha: a minha Blackout de 1,5 mm, cortada para a 08X (que é uma madeira grande), pesou 31 g, sem cola. É leve, e a esponja é, nas minhas palavras, “ridiculamente lenta”.

O que diz o fabricante (página oficial da Blackout):
| Item | Blackout |
|---|---|
| Tipo | anti-spin com esponja |
| Espessuras | 1,5 mm e 2,0 mm |
| Esponja | ultramacia, de amortecimento linear |
| Topsheet | cerca de 85% menos aderência |
| Cores | vermelha, preta e azul |
| Velocidade / controle / interferência | 33 / 98 / 99 (escala da S&T) |
| Estilo indicado | defensivo, perto da mesa |
Usei a de 1,5 mm, a mais fina (e, por isso, a mais rápida das duas), azul (a esponja também é azul).


Como foi o teste
Foram aproximadamente 45 dias de uso, só em treinos e em algumas duplas, sempre no backhand, com o conjunto que descrevi na abertura. Não levei a Blackout para torneio, até porque parei de competir em 1995 e nunca voltei, nem pretendo. Os adversários foram jogadores da primeira e da segunda divisão de Minas Gerais, gente que ataca bem e que sabe ler efeito.

Esperava uma borracha menos lenta do que ela é. A capacidade dela em absorver velocidade me surpreendeu. O topsheet é muito liso, mas não tanto quanto o da Dr. Neubauer A‑B‑S 3 Pro (outra anti com esponja de absorção), e esse pouquinho de atrito ajuda em algumas empurradas.
Levei umas duas semanas para me acostumar. Ajudou muito ter usado antes o pino longo Monkey de 0,6 mm, também da Sauer & Tröger, que também usa esponja de absorção, como a Blackout. Quem vem direto de borracha ofensiva deve precisar de mais tempo.
Golpe por golpe
Bloqueio contra topspin forte
É aqui que a Blackout brilha. Contra um topspin forte, a bola morre na raquete e volta bem pesada, baixa e lenta. O adversário que atacou com tudo recebe uma bola sem ritmo nenhum e precisa gerar a força de novo, do zero.
Recepção de saque
Depende do saque. Contra saque com bastante efeito, dá para usar muito bem: a borracha ignora boa parte do efeito e a bola volta controlada. Já o saque lento e sem efeito é um caos: não há velocidade nem efeito para a borracha aproveitar, e a bola tende a sair alta fácil demais.
Contra bola por baixo e empurrada
É o ponto fraco. Contra bola por baixo, a Blackout é lenta demais, e empurrar é pouco eficiente. O que funcionou bem foi um kato mais forte, mesmo perto da mesa. Quem está acostumado a empurrar de pino longo OX precisa se adaptar.
Bola lenta e jogo curto
Com bola passiva, não funciona bem. Sem a energia da bola do adversário, a borracha não tem o que devolver, e a empurrada fica sem peso, te obrigando a bater mais forte e a correr mais risco.
Ataque
Muito difícil e pouco efetivo. Dá para empurrar bola por baixo, mas não tão bem quanto com pino longo, e bater firme é bem difícil.
Saque
Muito limitado. Sacar com o lado da Blackout entrega uma bola que um jogador mediano ataca com facilidade.
Longe da mesa
Só kato, e com bastante força, senão a bola nem chega do outro lado. E ela sempre volta lenta, com pouco efeito. Talvez com madeira ofensiva isso melhore, mas não testei.
E girando a raquete?
Eu não giro a raquete durante o ponto: nunca aprendi a pensar nisso a tempo. Sempre que uso pino ou anti no backhand, perco o toque de backhand de borracha lisa; teria que treinar muito para tornar isso uma habilidade. Para quem gira, a Blackout ajuda: dá para escolher em cada bola entre a anti e a borracha lisa, e também criar oportunidades para atacar.
Do outro lado da mesa
A bola da Blackout cai antes de chegar, de tão lenta, e isso dificulta o ataque do adversário: ele precisa ir buscar a bola e gerar toda a força sozinho. E sim, ela mexe muitas vezes com a cabeça de quem está do outro lado. Esse efeito psicológico ajuda muito: se a bola da Blackout vem acompanhada de um ataque logo depois, o adversário fica ainda mais pressionado.
Mas teve um tipo de adversário que me deixou em desvantagem: o que entende o efeito e, em vez de partir para o tudo ou nada, trabalha o ponto, com bolas mais passivas e colocadas, principalmente no backhand, esperando a bola de oportunidade para finalizar. Contra esse jogador, eu precisava sair do backhand passivo e atacar de forehand, ou seja, fazer o pivô, ou arriscar atacar com a Blackout, que não funciona bem.
Os jogadores que atacavam mais foram os melhores para mim. É onde a Blackout brilha: na defesa.
Por que parei de usar
Eu tenho uma prótese total de quadril, como já contei no post Seu coração perdeu o ponto. Com ela, minha movimentação é limitada, e atacar quase tudo de forehand não é uma possibilidade real para mim. Também não tinha expectativa de continuar usando: a ideia era só testar mesmo, e foi bastante divertido e desafiador.
A Blackout deixou meu backhand só passivo. Sem o pivô para compensar, ela limitou demais o meu jogo. Não é defeito da borracha: é o perfil dela. Quem tem agilidade para atacar de forehand ou habilidade para girar a raquete vive outra realidade com ela.
Comparando com outras borrachas
Super Stop (Sauer & Tröger): outra anti da mesma marca. A diferença principal é a esponja de absorção, que a Super Stop não tem. A Super Stop permite atacar com muito mais facilidade, mas não absorve tanta velocidade e efeito quanto a Blackout. Quer mais ataque com a anti? Super Stop. Quer matar a bola? Blackout.
Dr. Neubauer A‑B‑S 3 Pro: é a principal concorrente direta, também com esponja de absorção, e custa bem mais: numa pesquisa rápida, vi que a Blackout tem preço médio 40% mais baixo (preços conferidos em outubro de 2026).
Madeira: com madeira lenta, a Blackout é quase inviável. A madeira precisa ter velocidade média ou até alta, para compensar a lentidão da esponja. Madeiras muito macias e flexíveis também não são as melhores opções. Numa 7 lâminas como a DHS PG7, ela vai muito bem.
Colagem, limpeza e durabilidade
Colar é tranquilo, como qualquer borracha (se tiver dúvida sobre qual cola usar, veja Qual cola 360TT usar?). Descolar é o grande problema: a esponja é absurdamente frágil. Colar com uma película adesiva dupla face, no lugar da cola, pode ser uma boa aqui.
Atenção ao descolar
A esponja da Blackout rasga com facilidade. Descole devagar, sem pressa e sem dobrar a borracha. Recomendamos usar uma espátula plástica para ajudar. Se você troca de material com frequência, conte com esse risco.
Limpar: recomendamos o SpinUp normal. Ela não precisa de película protetora, e nunca se deve usar película protetora adesiva sobre o topsheet dela nem de nenhuma anti-spin.
Durabilidade: aqui ela é o contrário das outras borrachas. Quando fica gasta, a Blackout começa a comer efeito, ou seja, vai perdendo justamente o que a torna uma anti. Usei pouco tempo, então não sei dizer quanto ela dura; pelo que vi, dura bastante. A minha estava como nova.
Pontos fortes
- Bloqueio contra topspin pesado: a bola morre na raquete e volta pesada, baixa e lenta.
- Recepção de saque com muito efeito: a borracha ignora boa parte do efeito, e a bola volta controlada e caindo.
- Controle: absorve muito bem a velocidade e o efeito, mesmo contra ataques fortes.
- Mexe com a cabeça do adversário: a bola lenta e com o efeito trocado tira o ritmo de quem ataca, e a pressão aumenta se você ataca logo depois.
- Leve e durável: 31 g cortada para uma madeira grande, e a minha estava como nova depois do teste.
- Preço: a principal concorrente direta custa bem mais.
Pontos fracos
- Bola passiva, morta ou alta: atacar e empurrar essas bolas é um caos. Por baixo ainda dá, mas não tão bem quanto com pino.
- Ataque: muito difícil e pouco efetivo.
- Saque: fácil para o adversário atacar.
- Descolar: a esponja é frágil, cuidado.
- A lentidão: nem dá para chamar de ponto fraco, pois ela é feita para ser assim, mas ela é, nas minhas palavras, irritantemente lenta. É o preço de absorver tanto.
Para quem pode servir
Onde ela vai bem:
- com quem tem bom pivô e quer usar o backhand para criar oportunidades depois do ataque do adversário;
- com quem quer jogar principalmente defendendo perto da mesa;
- com quem gira a raquete durante o ponto, quebrando o ritmo;
- com veteranos: a Blackout cabe bem no jogo de quem já tem leitura de efeito e prefere bloquear a atacar.
Onde ela não brilha (nada impede que alguém se adapte e use, mas não é o forte dela):
- para quem depende de empurrar ou atacar com o lado da anti ou do pino;
- para quem joga de kato afastado da mesa: dá para se adaptar, mas não é onde ela brilha;
- para iniciantes: sem leitura de efeito e sem o pivô, sofrem mais.
No fim das contas
Irritantemente lenta, e é exatamente por isso que funciona.
A Blackout faz muito bem o que promete: mata a velocidade do adversário e devolve uma bola baixa, lenta e com o efeito trocado. Em troca, cobra caro de quem precisa atacar com ela. Se o seu jogo tem o pivô para aproveitar o que ela cria, vale o teste.
Agora quero ouvir você: já usou a Blackout ou jogou contra ela? As minhas impressões batem com as suas? E quais produtos da DHS, da Sauer & Tröger e da 360TT você quer ver no próximo review? Me conta nos comentários.
Blackout – Sauer & TrögerAnti-spin com esponja de absorção ultramacia: mata a velocidade do topspin e devolve uma bola baixa, lenta e com o efeito trocado.
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