Da Fita VHS à 'Pancadaria': Uma Reflexão Sobre o Tênis de Mesa Atual

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Já tem um tempo que assistir jogos não é tão divertido como já foi. Explico: parei de jogar em 1995 ou 96, nem lembro direito. Nessa época, para assistirmos um jogo recente, esperávamos meses até chegar uma FITA VHS (pergunte ao seu pai ou avô o que é… rs) que vinha da Europa ou Ásia. Assim foi no mundial de 1995, vencido pelo chinês Kong Linghui, que, para nós, era um total desconhecido. Fui ver o jogo no início de 1996, quando tive acesso a uma fita com a final, jogo completo, sem highlights, comentários em idioma desconhecido, sem legenda e com imagem bem mediana.
Do VHS ao ao vivo
Voltando para 2025, hoje assistimos uma final de mundial AO VIVO, em altíssima resolução, com placar eletrônico na tela, replay e até um VAR chamado de TTR. Junto com essas ótimas evoluções, vieram também mudanças no jogo para ser mais “televisivo”. Desde a proibição da cola rápida e a mudança para a bola de ABS 40+, o jogo mudou muito. Antes, era muito mais saque e terceira bola; hoje, temos muito mais trocas. Isso é legal pra televisão, mas agora o jogo é muito mais físico, o jogador precisa ser muito mais atlético e, com isso, brincamos que é só pancadaria. Não se trata de desmerecer o nível atlético impressionante dos jogadores de hoje, mas sim de uma preferência pessoal. Com a aposentadoria do Xu Xin, sobrou uns poucos malucos, como Simon Gauzy, fazendo jogos interessantes e com criatividade.
O fim dos caneteiros puros
Essas mudanças mataram os caneteiros puros (uma borracha). Kateiros no masculino têm pouquíssimas chances no alto nível, onde já tivemos um vice-campeão mundial nesse estilo. Caneta de pino curto como os antigos chineses, impensável. A bola 40+, mais pesada e lenta, retirou parte da velocidade e do “veneno” dos pinos, exigindo uma força física que desequilibra a equação para esses estilos. E isso tornou o jogo meio igual: saque, pancada e mais pancada. É legal? É, mas admiro mais a pluralidade criativa do que a força pura. Aí, ficou meio desinteressante.
O feminino ainda tem criatividade
Por outro lado, já tem um tempo que tenho preferido assistir aos jogos do feminino. Kateiras ainda performam muito bem. Temos a “tiazinha” do pino Ni Xia Lian com mais de 60 anos fazendo estrago; a norte-coreana Kim Kum-yong com um pino longo no back de estilo absurdamente eficiente; a alemã Sabine Winter, que trocou a borracha do back por um anti-spin e tem feito jogos memoráveis; fora as indianas e seus pinos banhados no Rio Ganges (créditos ao Marcelo Hilário… rs). Não posso deixar de citar Adriana Diaz de Porto Rico, que parece fazer mágica na mesa, e a incrível chinesa Sun Yingsha. Mesmo com equipamentos convencionais, é muito legal assistir seus jogos.
No fim das contas
Resumindo, está chato assistir jogos do masculino, e muito legal assistir jogos do feminino.
Agora quero ouvir você: concorda comigo? Qual estilo de jogo você mais gosta de assistir hoje? Conta aqui nos comentários.
caneteiro · caneta · pino curto · pino longo · anti-spin · bola 40+ · jogo feminino · estilos de jogo


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